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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um belo caderno!!!

Como uma tradição de família, resolvi adquirir um Caderno de Receitas, ou melhor, o meu Caderno de Receitas. Afinal, quem pretende se casar tem que ter um caderno de receitas, pelo menos as receitas que o futuro marido gosta!

Aprendi com minha mãe e com minha vó Stela. Todas têm um caderno de receita. O da minha mãe já está até amarelo, sem capa. muito, muito velhinho mesmo.

Não queria simplesmente um caderno, com a capa que tivesse na hora que fosse comprá-lo. Queria um caderno com uma capa diferente, trabalhada e que lembrasse ser de receitas ao vê-lo de longe. Mas o que fazer na capa e como fazê-la?

Conversando com minha tia Eunice sobre aplicações, resolvi fazer a capa com aplicação, um trabalho diferente do que eu costumo fazer. Mas que figura devo aplicar na capa?

Em um dos dias que minha tia estava aqui em Ipatinga, ela arrumou uns riscos diferentes para fazer aplicação. Quando cheguei em casa e vi os riscos, eu amei! Eram riscos de galinhas e pensei: o motivo é esse, galinhas em aplicação.

Peguei umas dicas com ela, comprei os materiais e quando sai de férias em janeiro, aproveitei para colocar a mão na massa, ou melhor, na capa, por enquanto!

A inspiração foi tanto que resolvi fazer também a parte da costura quando a aplicação já estava pronta. No último sábado das minhas férias, peguei a máquina da minha tia Elza, que também me deu umas dicas, e fiquei costurando a manhã toda. Mede daqui, corta dali, passa, elabora a montagem do caderno, alinhava, costura. Ufa!!! Ficou pronto.

Olha, não é para me gabar, mas como foi a primeira vez que fiz bordado apliquê, o meu caderno ficou lindo:


Agora só falta encher o meu caderno de receitas... E já aproveitei o feriado de Carnaval e comecei a copiar algumas receitas da minha mãe!!!
 
Uma breve história...

O mais antigo livro de cozinha de que há conhecimento é atribuído ao grego Arquéstrato (séc. IV a.C.). Contudo não chegou até aos nossos dias. Um pouco mais tarde Ateneu e depois Apício deixaram textos que constituíram durante um longo período da História, importante matéria em termos culinários.

O primeiro livro de cozinha da Idade Média é um tratado em francês antigo, do início do séc. XIV. Tinha uma forte componente de receitas à base de especiarias e pratos de peixes e caça.

O Viandier de Taillevent (1380) e o Ménagier de Paris (1392) foram, verdadeiramente, os primeiros dispensários de cozinha, difundindo modos de preparação, técnicas de cozinha e receitas. Até ao séc. XVII continuaram a ser obras de referência.

A primeira evolução nestas obras, dá-se com os cozinheiros italianos que acompanhavam Catarina de Médicis. Introduziram os pratos feitos com açúcar, doces, compotas de frutas. Le Bastiment de recettes, publicado em Veneza e traduzido em Lião no mesmo ano (1541) é um manual de confeitaria.

Durante o Renascimento, os médicos reais têm um importante papel na literatura culinária. São recomendadas curas com frutos, e fixam as horas das refeições.

Uma nova evolução nos livros de cozinha é assinalada com a publicação do Cuisinier Français, com um considerável número de receitas, predominando as sopas, os pratos de ovos, de legumes e de carnes.

Entretanto, novos produtos suscitam novos escritos. Por outro lado a cozinha francesa simplifica-se, surgindo novos tratados relativos às novas iguarias.

O séc. XVIII viu florescer os livros de cozinha. A Revolução Francesa (1789) traz novos ideais, e também novas formas de se encarar a arte culinária. Surgem livros para “receitas simples e económicas” (nomeadamente de batatas).

No séc. XIX alguns donos de grandes restaurantes pegam na pena e começam a escrever sobre gastronomia. Os escritos proliferam, assim como as receitas.

Com o séc. XX o livro de cozinha torna-se num género extremamente diversificado. Ao lado das receitas de grandes cozinheiros surgem as crónicas culinárias e as críticas.





terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Pra que comer Inhame???

Nas minhas férias de janeiro, como estava muito alérgica, meu irmão insistiu e me levou a um médico que conhecia, Homeopático. "Consultei" com o homeopático que perguntou tudo que tinha e sentia, além da alergia.

A receita dele foi: "coma inhame diariamente, por 30 dias, pelo menos uma vez no ano, que todos os seus problemas de saúde se resolverão".

Passei a consumir o Inhame. Estou tomando suco de inhame em jejum há duas semanas e os resultados são visíveis. Então resolvi perquisar sobre esse tal tubérculo, e vejam só que achei:
 
Inhame emagrece e combate a celulite

O que toda mulher mais deseja depois de emagrecer é se livrar da celulite. Isso porque a celulite atinge mais de 95% das mulheres, até as magrinhas não escapam.
Para quem quer se livrar dos furinhos a dica é: aposte no Inhame.
Este tubérculo, possui ação anti-inflamatória, diminui o acúmulo de líquidos e toxinas no organismo, e o melhor de tudo, ele elimina a celulite e as gordurinhas extras. E mais, ele ainda diminui os sintomas da TPM, as cólicas menstruais e estimula a libido.


Os benefícios do Inhame

Este alimento rico em carboidratos, proteínas e pobre em gorduras. É uma grande fonte de energia e traz vários benefícios à saúde.
O inhame fortalece os ossos, é poderoso antibiótico, facilita a digestão e evita problemas no aparelho digestivo. Além disso reforça e estimula o sistema imunológico, combatendo gripes, stress, cansaço físico e doenças infecciosas.


Inhame para a pele

Rico em betacaroteno, vitaminas C e do complexo B, cálcio, ferro e magnésio, o inhame combate os radicais livres, melhora a circulação sanguínea e previne e diminui as rugas. É um poderoso depurativo do sangue, tonificante da pele e combate acnes, espinhas e cravos.


Inhame e seus benefícios para mulher

O que torna o inhame o alimento ideal para as mulheres é sua capacidade de equilibrar os níveis do hormônio feminino progesterona. E, com isso, amenizar os sintomas da TPM (cólica, irritação, ansiedade) e da menopausa (ondas de calor, secura vaginal), além de reduzir o risco de perda óssea e estimular a libido. O poder anti-inflamatório do inhame também vem daí: a progesterona impede que hormônios favoráveis ao acúmulo de toxinas e, consequentemente, à inflamação das células e do organismo em geral, entrem em ação. Por isso ele é um aliado no combate à celulite.


Inhame engorda?

Não! Isso porque, diferentemente da batata, o inhame tem índice glicêmico baixo. Por isso, demora mais para ser transformado em açúcar no sangue, evitando picos de insulina no organismo. Mas lembre-se, por ele ser rico em carboidrato, deve substituir o pão no café da manhã ou o arroz no almoço ou jantar, pois já sabemos, carboidratos juntos no mesmo prato, são quilos à mais na balança.


(Revista Digital sobre dieta e beleza.)


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Delícia refrescante!!!

Neste Natal enfrentei a cozinha e resolvi fazer uma sobremesa.

Como o dia estava quente, decide fazer uma receita que ganhei da minha colega Sandra.

Quando li a receita, não achei interessante, nem com "cara" de gostosa e me deu uma certa preguiça (igual a Érica teve na hora que leu a receita), pois precisava de utilizar liquidificador e batedeira, além de ir ao fogo. Mas é muito rápida de fazer, deve ter demorando um meia hora para ficar pronta e ir ao congelador, e me enganei também no sabor, pois é uma delícia e, como sou fanática por sorvete, adorei a receita!!!


BOLO DE SORVETE
















Ingredientes:
- 4 ovos - separar as gemas;
- 1 lata de creme de leite sem soro;
- 1 lata de leite condensado;
- 2 latas de leite;
- 5 colheres de chocolate + 3 colheres de água;
- 5 colheres de açúcar.

Modo de Preparo:
- Dissolva o chocolate na água. Unte a forma e leve ao congelador para endurecer.
- Bata no liquidificador: as gemas, o leite condensado e o leite.
Leve ao fogo. Deixe levantar fervura e desligue. Deixe esfriar um pouco.
- Bata as claras bem (até ponto de suspiro), coloque o açúcar e o creme de leite.
- Misture bem o creme que foi ao fogo com o suspiro. Coloque na forma que está no congelador e leve, novamente, ao congelador por 8 horas, no mínimo.
- Quando estiver com a textura de sorvete, retire a forma e sirva a vontade!!!

Hummm! Delícia!!!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Felicidade: adote atitudes que elevam esse sentimento

Vamos começar 2.012 bem:


Adquira hábitos que garantem mais momentos recompensadores na sua vida

Por Andressa Basilio

Qual a relação entre dinheiro e felicidade?
Contrariando a ideia de que quanto mais, melhor, uma nova pesquisa feita pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, descobriu que não precisa ter uma carteira farta para ser feliz, mas de uma condição financeira estável envolvendo em torno de R$ 6.800. A explicação é simples: de acordo com os pesquisadores, uma renda muito pequena evidencia problemas emocionais associados a aborrecimentos, como doenças, solidão e divórcio.

Estado de contentamento, alegria, euforia e de satisfação íntima... isso tudo caracteriza o sentimento de felicidade. Para alcançá-la, de acordo com a explicação da pesquisa norte-americana, você teria que desembolsar cerca de R$ 81.600 todo ano, o que, no fim das contas, não sai nada barato. Mas, saiba que com algumas atitudes simples você consegue ficar mais próximo desse sentimento que faz tão bem e o melhor é que você não precisa gastar um centavo.

Confira sete pequenos hábitos que você pode começar a fazer agora.



Aproxime-se de quem você gosta - Getty Images1.Aproxime-se de quem você gosta

Você é o principal responsável pela sua felicidade, porém, as pessoas que estão a sua volta te fazem rir, te dão apoio, carinho e, por isso, ajudam e muito o nosso dia a dia a ser mais colorido. E não é só isso. "Nossos amigos agem como uma rede de sustentação que alivia as nossas quedas. A eles pedimos e damos conselhos, quando não sabemos o que fazer. Pedimos e damos colo e ombro para chorar. Essas experiências são valiosíssimas porque fazem com que nossa dor seja validada", explica a psicóloga Cecilia Zylberstajn. Por isso, não se esqueça nunca: nenhum homem é uma ilha. Procure manter seus amigos e sua família sempre por perto.


Participe de uma causa - Getty Images2.Participe de uma causa

De acordo com a pesquisa americana, o fator campeão de bem-estar é a religião, pois quem vai a igreja faz amigos por lá e compartilham de uma crença e objetivos comuns. Mais do que ser religioso, é importante ter uma causa, um motivo pelo qual você lute e acredite. A troca de informação e a convivência com outras pessoas que partilhem de opiniões parecidas e defendem causas semelhantes tem um impacto positivo e se torna mais um caminho para a felicidade.


Publicidade Dieta e Saúde3. Cuide da sua saúde

Comer melhor, dormir bem, movimentar o corpo, afastar o estresse, tudo isso são hábitos que favorecem a longevidade. Basta vontade de mudar. Para o cardiologista Bruno Ganem, hábitos saudáveis são capazes de melhorar a qualidade de vida e muito mais: fazem com que a pessoa fique otimista diante da vida.
Os bons hábitos alimentares também promovem uma onda de bem-estar e boa saúde. A nutricionista Lucyanna Kalluf explica: "Sem uma alimentação equilibrada o organismo fica suscetível a males como depressão, irritabilidade, insônia, ansiedade e mau humor. Além do risco da obesidade e doenças cardiovasculares", diz a especialista. Tudo isso é impeditivo para o estado de felicidade.


Cuide da sua saúde - Getty Images4. Não assuma tudo sozinho

Carregar o mundo nas costas traz dor, cansaço, desgaste e só. Quem tem o hábito de fazer isso precisa ficar atento e procurar alternativas para dividir as tarefas com as pessoas que querem e podem te ajudar. De nada adianta fazer tudo sozinho e ficar sem tempo para você mesmo. Divida seus problemas e funções, peça e aceite ajuda, trabalhe com prioridades. "Diante das situações, avalie e escolha sempre as melhores alternativas, aquelas que mais te interessam e são emergenciais. Deixe o que é menos importante para depois, lembre-se sempre que somos humanos e, portanto, limitados. Não conseguimos fazer tudo sempre", afirma a psicóloga Mariuza Pregnolato, da Universidade de São Paulo.


Aprenda a achar soluções - Getty Images5. Aprenda a achar soluções

O estresse vem quando estamos com o corpo e a mente sobrecarregados. Ele traz pensamentos negativos que, em menor ou maior medida, afetam o jeito como encaramos a vida. Ninguém é feliz 100% do tempo, os problemas sempre surgem e, em certa medida, são bons para "pregar os pés no chão". Porém, o segredo é encará-los de frente, não deixando que eles causem desgastes. "Não gaste o seu tempo e a sua mente preocupando-se com os problemas. Em vez disso, ocupe-se trabalhando neles para resolvê-los e use sua mente com pensamentos positivos e um sorriso no rosto", indica a psicóloga Mariuza Pregnolato.


Cobre menos de si mesmo - Getty Images6. Cobre menos de si mesmo

Gostar de si mesmo é essencial para o bem-estar. "Para que estejamos bem, é necessário que estejamos sintonizados com nós mesmos. Na prática, isso significa relativizar a importância de tudo que nos atinge de fora para dentro", diz a psicóloga da USP, que completa: "É preciso aprender a ficar, dentro do possível, imune aos golpes que a vida nos desfere vez por outra. Para isso, precisamos aprender a cultivar e a expressar nosso próprio modo de ser e apreciar a vida sendo do jeito que somos, sem procurar agradar a todos, até porque isso é impossível."


Viva o presente - Getty Images7. Viva o presente

Muita gente se envolve em planos para o futuro de tal forma que acaba vendo a vida passar rapidamente. Esse tipo de atitude adia a felicidade e para que? "Muitas vezes nos frustramos por passar muito tempo programando um futuro que não acontece exatamente do jeito que sonhamos. As pessoas mais felizes aprenderam a moldar seus sonhos, a viver no presente. São as que entenderam que o futuro é a ressonância do hoje", defende a neurologista Claudia Klein. Lembre-se que a felicidade não é um estado permanente, que se atinge e lá se fica. Ela vem e volta, e é normal que isso aconteça. O principal é fazer com que mais momentos felizes entrem em nossa vida. E saber lidar com os altos e baixos.

Yahoo! Brasil - Beleza e Saúde.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Cultura Africana e Indígena

Durante o ano de 2011, as escolas da Rede Municipal de Ipatinga, trabalharam o tema Cultura Indígena e Africana.
Os trabalhos foram apresentados na Mostra Cultural 2011, no dia 26 de novembro.
Eu e minhas colegas, Solange e Mônica, professoras de Matemática, trabalhamos a Cultura Africana da Tribo Ndebele na Escola Municipal Padre Cícero de Castro.
Os trabalhos foram realizados pelas turmas de sexto e oitavo anos (311-A e 413-B). Os alunos utilizaram  muita cor nos trabalhos elaborados, sendo que a cor forte é uma característica marcante da Tribo Ndebele.


A Tribo Ndebele.

Uma lenda africana diz que "o homem chegou na Terra escorregando pelo pescoço da girafa, vindo do céu"...
Na África do Sul, muitas famílias inteiras trabalham com artesanato, conhecimento da Arte Raku passado através de gerações.
O povo Ndebele, de Botswana, é muito conhecido por fazer girafas de cerâmica com belíssimas figuras geométricas.
Raku é uma antiga técnica japonesa. As peças são feitas em argila e seguem o processo: secar, queimar, esmaltar e enfornar.
O craquelado é uma das características desta queima. As rachaduras escurecem pelo efeito da fumaça e realçam claramente as pequenas fraturas na camada superficial do esmalte. As partes não esmaltadas ficam com a tonalidade escura.
O Ndebele é um povo, cuja característica principal dessa tribo, que ainda preserva sua língua e cultura, é o artesanato, e são chamados de “povo artista” por fazerem colares e ornamentos coloridíssimos de miçangas. As mulheres usam argolas pesadas no pescoço, pernas e braços (depois que casam) para não fugirem de seus maridos e não olharem para os lados. Estão sempre com um cobertor amarrado nas costas.

As pinturas das casas deste povo guerreiro, os utensílios e adornos que as mulheres usam, com o seu significado religioso, místico, talvez até mágico, foram os elementos formais e práticos usado para criação de uma expressão artística.
Expressam a si mesmos através das cores gráficas e dos desenhos geométricos, as suas casas são coloridíssimas, sejam redondas (parecendo ocas) ou quadradas, sempre com teto de palha.
Já os homens são circuncisados e eles acreditam que, antes da circuncisão, o garoto não está unido com sua alma. Consequentemente, ele ainda não é realmente humano.

Além das casas com essa característica única, outra coisa que essa tribo tem de especial é a arte na fabricação de colares e ornamentos de miçangas. As mulheres lembram as "mulheres girafa" da Tailândia, pois usam colares em forma de aro no pescoço, bem como nas pernas e braços, e andam com cobertores coloridíssimos amarrados nas costas.
A tribo Ndebele é uma das menores da África do Sul. Mas intensa o suficiente para revelar uma das manifestações artísticas de maior destaque de todo o continente. Já circula pelo mundo a técnica ancestral de pintar os muros das residências – à mão livre – com linhas e ângulos geométricos coloridos. Obra de Esther Mahlangu, artista de 75 anos, pioneira em colocar as cores e formas Ndebele em telas. Quando ela tinha 55, 20 anos atrás, foi a primeira mulher de sua tribo a cruzar o oceano.
A técnica Ndebele é importantíssima para o mundo reconhecer de vez que, na África, existe arte de qualidade e complexidade
Os ocidentais ainda tratam a arte africana sob o ponto de vista antropológico e etnológico, e sempre querem encontrar uma função utilitária para ela, resumindo-a a estatuetas e máscaras.
A arte das mulheres Ndebele questiona essa visão, já que são óbvias as preocupações estéticas dessas artistas. Além disso, a arte está exposta em murais e não possui qualquer função utilitarista.



Os trabalhos da Escola Municipal Padre
Cícero de Castro.



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Tempo de Esperas

"Sem amigos não podemos ir muito longe.
Há momentos em que nossas águas não são suficientes para irmos adiante. Precisamos de outras mais caudalosas. É ai que nos tornamos mais simples, menos complicados.
No momento em que careço, sou mais verdadeiro. Deixo cair as armas, desamarro as fardas, porque todo soldado, por mais corajoso que seja ou possa parecer, sempre terá o direito de chorar e de dizer que sente medo."


Livro 'Tempo de Esperas' - Fábio de Melo

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Milagres

"Quem sou eu? E como será que acabará esta história?

O sol já raiou e estou sentado próximo a uma janela que se embaçou com o sopro de uma vida passada. Nesta manhã, estou um espetáculo digno de ser admirado: duas camisas, calças grossas, um cachecol enrolado duas vezes em torno do pescoço e enfiado dentro de um suéter grosso tricotado pela minha filha, 30 aniversários atrás. O termostato no meu quarto está no máximo, e bem atrás de mim há outro aquecedor, menor. Ele estala e geme e vomita ar quente feito um dragão de contos de fadas, mas mesmo assim meu corpo continua tremendo por causa de um frio que nunca vai embora, um frio que vem se produzindo há 80 anos. Oitenta anos, penso às vezes, e embora tenha aceitado a minha idoade, ainda me surpreendo com o fato de que nunca mais consegui sentir-me aquecido desde que George Bush era presidente. E me pergunto se isso também ocorre com as pessoas que têm a minha idade.

A minha vida? Não é fácil de explicar. Nunca foi o deslumbrante mar de rosas que eu imaginava que seria, mas também não comi o pão que o diabo amassou. Creio que minha vida tenha acabado por se parecer mais com um título do Tesouro ou uma ação de primeira linha bem cotada na Bolsa de Valores: razoavelmente estável, com mais altas do que baixas, e tendendo a subir gradualmente com o tempo. Uma boa compra, uma compra sortuda, e aprendi que nem todo mundo pode dizer o mesmo sobre a própria vida. Mas não se iluda. Não sou nada especial; disso estou certo. Sou um homem comum. Não há monumentos dedicados a mim e o meu nome, em breve, será esquecido, mas amei uma pessoa com toda a minha alma e coração e, para mim, isso sempre bastou.

Os românticos chamariam isso de uma história de amor, os cínicos diriam que é uma tragédia. Na minha cabeça é um pouquinho de ambas, e no fim das contas qualquer que seja a maneira como você escolha encarar este relato, nada altera o fato de que ele abrange uma grande parte da minha vida e do caminho que escolhi trilhar. Não tenho nenhuma queixa a fazr quanto ao meu percurso e aos lugares aonde ele me levou; talvez sobre outras coisas eu tenha reclamado, suficientes para encher uma tenda de circo, mas o caminho que escolhi tem sido sempre o certo, e tampouco gostaria que tivesse sido de outro jeito.

O tempo, infelizmente, em nada facilitará a tarefa de manter o curso. O caminho continua reto como sempre, mas agora está atravacado com as pedras e cascalhos que vão se acumulando ao longo de uma vida. Até três anos atrás isso teria sido fácil de ignorar, mas agora é impossível. Há uma doença invadindo e percorrendo meu corpo; já não sou forte nem saudável, e os meus dias se consomem feito uma velha bexiga de festa; inertes, esponjosos, cada vez mais flácidos com o passar do tempo.

Eu tusso e, apertando um pouco os olhos, consulto o meu relógio de pulso. Noto que já é hora de ir. Levanto-me da minha cadeira perto da janela e, arrastando os pés, atravesso o quarto, só parando para pegar sobre a escrivaninha o diário que já li centenas de vezes. Eu não olho sequer de relance para o caderno. Em vez disso, enfio-o debaixo do braço e sigo meu caminho na direção do lugar aonde tenho de ir.

Ando sobre um piso ladrilhado branco e salpicado de cinza, como os meus cabelos e os da maioria das pessoas daqui, embora nesta manhã eu seja o único no corredor. Os outros ainda estão nos seus respectivos quartos, sozinhos a não ser pela companhia da televisão, mas eles, assim como eu, já estão acostumados com isso. Com o tempo, uma pessoa pode se habituar a tudo.

A distância ouço sons abafados de choro e se exatamente quem está fazendo esses sons. Então as enfermeiras me veem, trocamos sorrisos e cumprimentos. Elas são minhas amigas e muita tes vezes conversamos, mas tenho certeza de que ficam conjecturando teorias sobre mim e as coisas que faço diariamente. Posso ouvir os cochichos quando passo por elas. "Lá vai ele de novo", escuto, "Espero que corra tudo bem". Mas elas nunca me dizem nada sobre isso diretamente. Tenho certeza de que pensam que eu ficaria chateado se me falassem disso logo de manhã tão cedo, e conhecendo-me como me conheço, acho que talvez estejam certas.

Um minuto depois, chego ao quarto. A porta já foi aberta para mim, como usualmente acontece. Dentro há duas outras enfermeiras, que também sorriem para mim quando entro. "Bom dia", elas dizem com voz animada, e aproveito para perguntar como vão as crianças, a escola e as férias que se aproximam. Conversamos e nossa voz sobrepõe ao som do choro, durante um minuto ou um pouco mais. Elas parecem nem perceber a choradeira; ficaram insensíveis, mas, pensando bem, eu também fiquei.

Depois me sento na cadeira que agora acabou adquirindo a minha forma. Elas já estão quase terminando; ela já foi vestida, mas continua chorando. Depois que as duas forem embora, tudo vai ficar mais tranquilo, eu sei. A agitação da manhã sempre a incomod, e hoje não é exceção. Por fim, as enfermeiras abrem a cortina e saem do quarto. Ambas me tocam e sorriem ao passar por mim. Eu me pergunto o que isso significa.

Eu me sento só por um segundo e a observofixamente, mas ela não retribui o olhar. O que é compreensível, pois não sabe quem eu sou. Para ela sou um estranho, um desconhecido. Depois, virando o corpo, eu abaixo a cabeça e rezo em silêncio, pedindo as forças de que sei que irei precisar. Sempre acreditei com firmeza e convicção em Deus e no poder da oração, ainda que, para ser honesto, minha fé tenha suscitado uma lista de perguntas que, definitivamente, só quero quer sejam respondidas depois que eu já tiver partido.

Agora estou pronto. Já coloquei os óculos, e tiro do bolso uma lupa. Coloco-a sobre a mesa por um instante, enquanto abro o diário. Preciso de duas lambidas no meu dedo áspero para fazer a capa, gasta pelo uso, se abrir na primeira página. Depois posiciono no lugar certo da lente de aumento.

Há sempre um momento, imediatamente antes de eu começar a ler a história, em que a minha mente se agita, e eu me pergunto. "Será que vai acontecer hoje?" Não sei, pois nunca dá para saber de antemão, e no fundo isso nem é importante. É a possibilidade que me faz continuar, não a certeza, uma espécie de aposta da minha parte. E embora você possa me chamar de sonhador, de tolo ou de qualquer outra coisa, acredito que tudo é possível.

Sei que as probabilidades e a ciência estão contra mim. Mas a ciência não é a única e definitiva resposta; eu sei e aprendi ao longo da vida. E isso me faz acreditar que os milagres, por mais inexplicáveis ou inacreditáveis, são reais e podem acontecer sem levar em consideração a ordem natural das coisas. Então, mais uma vez, assim como faço todos os dias, começo a ler em voz alta o diário, para que ela possa ouvir, na esperança de que o milagre que acabou dominando a minha vida possa levar a melhor de novo.

E talvez, apenas talvez, isso aconteça."
Diário de Uma Paixão,
de Nicholas Sparks.